domingo, 22 de março de 2009

O que eu faço...

O que eu faço com minhas mãos,
que se esticam para pegar as suas,
Quando, sozinha, caminho pelas ruas,
alheia à sua partida,
tentando esquecer a despedida,
fingindo que tudo não passou de um pesadelo?

O que eu faço com meus braços,
que, em vão, buscam o teu abraço,
na esperança de ser aconchegada novamente,
de sentir teu coração pulsar suavemente,
enquanto descansava a cabeça no teu peito
e te ouvia falar de amor?

O que eu faço com meu corpo,
que busca pelo teu como um louco,
neste quarto frio e vazio,
perdido de paixão e desejo,
carente de todas as carícias,
saudoso de todas as delícias,
que me ensinou a conhecer e gostar?

O que eu faço com este beijo,
que aflora em meus lábios
quando te vejo,
a,inda que seja só na imaginação,
na lembrança da sensação
do calor que me queimava,
cada vez que me tocava?

O que eu faço com meus olhos,
que já não cruzam com os teus,
que vêem em tudo o nosso adeus,
em cada rua que passamos,
em cada esquina que dobramos,
em cada lugar que freqüentamos,
impregnados de lembranças,
do tempo em que ainda
tínhamos esperanças?

Então, me diga,
o que eu faço com essa dor,
que você deixou ao partir,
que fez morada dentro de mim,
que me acompanha dia e noite,
me lembrando a todo momento
que te perdi?


06/02

segunda-feira, 9 de março de 2009

Utopia...

De repente eu sinto a sua falta
como se você já fizesse parte da minha vida...
Talvez porque eu o tenha esperado tanto
e agora que te encontrei
não queira perder mais um momento sequer...
Dia após dia te esperei,
noite após noite, fantasiei...
refugiei-me em teus braços aconchegantes,
ouvi o som da tua voz
e até provei do doce dos teus lábios,
num beijo muito apaixonado...
E mesmo quando a manhã chegava
e te levava de mim
eu recusava-me a aceitar o fim
da minha fantasia
e continuava a sonhar
de olhos abertos...
Muitas vezes peguei-me dialogando
com você em voz alta,
enquanto executava as tarefas mais rotineiras,
como lavar os pratos, pôr a mesa
ou pentear os cabelos,
porque você já era parte da minha rotina...
No carro sempre foi meu par constante
e comigo ias aonde quer que eu fosse...
Nas minhas caminhadas solitárias
andávamos de mãos dadas
traçando planos para o futuro
e fazendo juras de amor...
À noite escutávamos música
e dançávamos de rosto colado
e eu aspirava o seu perfume
que exalava paixão...
Durante anos a fio partilhei com você
a minha cama e as minhas noites de insônia,
dividimos a bebida que descia amarga
e não fazia esquecer,
que além do sonho eu poderia te perder
e quando eu chorava dividida entre a fantasia
– TÃO VIVA! –
E a realidade
- TÃO MORTA! –
ainda assim era você quem enxugava
as minhas lágrimas...
E hoje, quando te encontro
fora da minha utopia,
temo ter perdido o juízo
pois não sei mais onde acaba o sonho,
a fantasia,
prá começar a realidade...com você.

E eu que pensava...

E eu que pensava
haver te esquecido
quando a raiva
tomou conta de mim
e me fez acreditar
que eu nunca mais pensaria em você...
que ilusão!
Penso em você dia e noite;
a cada momento
uma circunstância te traz à tona;
uma música que toca,
uma cena que vejo,
uma expressão que ouço,
um relógio igual em braço alheio...
E essa saudade doída, caprichosa,
que reclama as emoções vividas,
os beijos apaixonados,
as noites passadas nos teus braços,
as palavras de amor
que se perderam no seu desamor...
E essa solidão,
maior do que a própria noite que me envolve,
que parece engolir qualquer resto de ilusão
que eu insista em ter,
que me mostra cruelmente a realidade,
do tempo que avança
zombando da minha esperança,
de tudo voltar a ser como antes,
de eu ver novamente
o brilho nos teus olhos,
termômetro do teu amor...
E são tantas as recordações,
tantas as emoções
que desfilam em minha mente
que me vejo transportar no tempo
e sinto como real
tudo o que eu vivi ao teu lado,
cenas que se desenrolam como num filme
cujo único espectador
é o meu coração dilacerado
pela dor da sua saudade,
aliada à incredulidade,
do fim do nosso amor...

domingo, 8 de março de 2009

O que fazer...

O que fazer
para secar o pranto,
que teima em rolar,
cada vez que me pego a lembrar,
de você, de mim, de nós?
Como exorcizar o fantasma
de um amor morto(?) à força
que arrasta suas correntes
pelo meu coração solitário,
nas noites vazias e insones,
misturando os seus lamentos aos meus?
Como aliviar essa angústia,
que pressiona o peito sem trégua
e me faz sentir sufocada,
pela dor da sua ausência
e pela força da sua indiferença?
Como aceitar que o sonho acabou,
que a nossa história de amor terminou,
que construi meu castelo na areia
e a onda do mar levou?

É, acabou...


É, acabou,
porque tudo, um dia, acaba
mesmo que a gente não
consiga entender o porquê...
Mas como aceitar,
se o fogo da paixão ainda me
consome com tanta intensidade,
se ainda morro de saudades,
do seu olhar tão meigo,
se meu corpo ainda arde de desejo,
se ainda anseio pelos seus beijos,
se não esqueço o seu jeito de amar,
se o seu cheiro ainda está impregnado no ar?
Se tudo ainda está na minha mente,
se , em cada rosto ,você está em minha frente,
se basta fechar os olhos para lembrar,
se ainda te vejo ao meu lado deitar,
se ainda sinto o calor do seu corpo no meu,
como aceitar que você me esqueceu,
que tudo acabou
e que só essa dor restou?

O seu silêncio ...

O seu silêncio
é o meu maior castigo
quando espero, em vão,
que o telefone toque,
me agarrando à frágil esperança,
de que ainda tenha na lembrança,
os momentos felizes que vivemos,
a cumplicidade que tivemos,
os carinhos que trocamos;
os beijos apaixonados,
os abraços apertados,
a saudade que nos consumia
e que aumentava o nosso amor a cada dia...
Mas o telefone continua mudo,
no desfilar lento das horas,
gritando com este silêncio,
que deixei de ser importante,
especial,
que nada mais é igual,
que preciso aceitar,
que , em algum trecho desse nosso caminho,
você deixou de me amar...
que não adianta mais insistir,
investir,
por que simplesmente não há volta...
que você se foi batendo a porta,
encerrando definitivamente esse amor....

sábado, 7 de março de 2009

Nasce um abismo entre nós...

Nasce um abismo entre nós...
apesar de nos desejarmos bom dia,
de nos desejarmos boa noite,
de compartilharmos a mesma mesa e a mesma cama.
Nasce um abismo entre nós...

Por que você não vem?

É meia noite...
Estou só...
Por que você não vem?...
Por que não impregna
o ar que respiro
com o teu perfume inigualável?
Por que não produz
ao redor do meu corpo
aquela sensação de calor
que a sua presença invisível desperta?
Ah, meu amor,
tenho sido tão testada em minha fé
de acreditar em tua existência...
Porque, além de meus sonhos e esperanças,
só encontro um vazio sem fim
como resposta aos meus apelos... até quando?
Algo, alguém, impede o nosso reencontro?
Acaso não teremos direito a essa ventura?
Diga-me, então...
Ou será somente quando meu corpo pender inerte
Que minh’alma livre voará ao seu encontro
rompendo todas as barreiras -
hoje intransponíveis -
que nos separam?
Aí será para sempre?

Te querer tanto...

Te querer tanto é que me faz sofrer,
quando este querer não passa
de uma espera sem fim
e essa espera
tem sido a angústia maior
da minha vida...
A noite, que tinha tudo para ser bela,
se torna o meu maior tormento
pois acentua, ainda mais,
a falta que você me faz
e maior eu sinto o vazio que é a vida
sem a tua presença...
Nada parece ter sentido,
embora eu ainda tente ter esperança
e acreditar...
Nós nos perdemos, eu sei, eu sinto...
por algum motivo
– agora ignorado –
foi-nos imposta esta separação,
que me dilacera o peito e me faz ter a sensação
de que vivo apenas para aguardar
o momento do nosso reencontro,
seja ele onde for...
Você é tão real
que não posso concebê-lo
como um sonho apenas...
porque eu te sinto, pressinto,
nessa fusão de realidade e fantasia,
de sanidade e loucura,
de esperança e desespero...

Alma Gêmea




Alma de minha alma
te reencontrei agora
quando os meus olhos
cruzaram com os teus
revelando a nossa história
o nosso amor de outrora
que tempo e espaço transcendeu...

Venceu a morte,
se tornou ainda mais forte
e voltou para me encontrar
em meio à multidão
confiando que o coração
me reconheceria neste olhar...

Mas antes que a felicidade
do reencontro se concretizasse
em núpcias de amor e deleite
um Deus que talvez não aceite
tamanha felicidade
para simples mortais
atirou certeiro dois punhais
que cravariam nossos corações...

Mais uma vez separados
pelo Criador desamparados
vagamos sem direção
amargando essa condenação
de amarmos um ao outro -
vida após vida -
sem nunca realizar o nosso sonho,
o nosso desejo de sermos um só,
por toda a eternidade...